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Estresse felino: como identificar?

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Foto: Shutterstock

Os gatos são criaturas muito sensíveis às mudanças de ambiente, rotina ou com seu próprio bem-estar físico. Quando qualquer um destes três pilares sai de sua normalidade, é comum que o pet passe a apresentar estresse.

O quadro, comumente identificado na rotina clínica, é desencadeado por agentes estressores, que podem variar consideravelmente e incluir uma série de fatores, como mudanças no ambiente, interações sociais negativas, visitas ao veterinário, ruídos altos, falta de enriquecimento ambiental adequado, introdução de novos animais de estimação e até mesmo eventos traumáticos.

Para os felinos, até mesmo pequenas alterações em sua rotina ou ambiente podem desencadear um estresse significativo. Em resposta ao estímulo, o corpo dos felinos libera uma série de hormônios, com destaque para o cortisol e a adrenalina. O cortisol é secretado pelas glândulas suprarrenais e desempenha um papel central na resposta ao estresse, aumentando a disponibilidade de glicose no sangue para fornecer energia rápida aos músculos e ao cérebro.

A adrenalina, ou epinefrina, também é liberada pelas glândulas suprarrenais e desencadeia uma resposta de luta ou fuga, aumentando a frequência cardíaca, dilatando os bronquíolos dos pulmões e desviando o fluxo sanguíneo para os músculos esqueléticos. Estas mudanças promovem uma reação natural que deixa os felinos em alerta, o que faz com que desenvolvam comportamentos agressivos ou fiquem amuados e busquem esconderijos difíceis de serem achados.

Sinais

Os sinais de estresse iniciam pela alteração comportamental, com a agressividade com humanos ou outros animais sendo o mais evidente. Porém, outros indicadores também demonstram que o pet está passando por um momento de estresse: irritabilidade ou apatia, alterações nos hábitos alimentares, como recusa em comer ou comer em excesso; mudanças nos padrões de sono, como insônia ou excesso de sono; vocalização excessiva, especialmente miados constantes ou gemidos; higiene pessoal inadequada, como lambidas excessivas ou falta de cuidado com a pelagem; comportamento destrutivo, como arranhões frequentes em móveis ou objetos; e isolamento social, como evitar interações com humanos ou outros animais, são alguns exemplos.

Além das alterações citadas, há sinais menos evidentes que também podem indicar desconforto nos pets. Estes incluem evitação de áreas ou objetos específicos, mudanças nos hábitos de marcação, aumento da sensibilidade ao toque, comportamento de vigilância excessiva, alterações na linguagem corporal, agressão passiva e pupilas dilatadas.

Observar atentamente o comportamento do gato e estar atento a essas mudanças pode ajudar a identificar precocemente qualquer sinal de estresse para que seja possível a adoção de medidas antes do agravamento do quadro.

Foto: Bing

Consequências

O estresse crônico pode levar a uma série de problemas de saúde física e emocional nos felinos. Isso inclui distúrbios gastrointestinais, distúrbios do trato urinário, problemas de pele, obesidade, supressão imunológica, distúrbios comportamentais, como ansiedade e depressão, e até mesmo maior suscetibilidade a infecções e doenças.

Manejo

Para gerenciar o estresse em felinos, é essencial identificar e minimizar os fatores estressantes sempre que possível. Isso pode envolver a criação de um ambiente seguro e enriquecido, estabelecimento de rotinas consistentes, introdução gradual de mudanças, oferta de brinquedos e atividades adequadas, entre outras estratégias. Em casos de estresse crônico ou grave, pode ser necessário buscar a orientação de um comportamentalista animal para desenvolver um plano de manejo adequado.

O uso de feromônios é outra ferramenta útil no manejo do estresse em felinos, proporcionando um complemento eficaz às estratégias comportamentais e ambientais. Os feromônios são substâncias espécie-específicas naturais liberadas pelos animais para a comunicação entre indivíduos da mesma espécie.

No caso dos felinos, os feromônios faciais felinos, que reproduzem o odor deixado pelos animais no ambiente ao se esfregarem em móveis e outros objetos com o objetivo de marcar território e se sentirem protegidos, têm sido amplamente estudados por sua capacidade de reduzir o estresse e promover o bem-estar.

Quando sente este odor característico, o gato interpreta que aquele ambiente em que ele está é seguro e que não existe necessidade de se preocupar com perigos ou ameaças, fazendo com que ele se sinta no controle da situação. Reconhecer os sinais de estresse em felinos é essencial para garantir seu bem-estar e qualidade de vida.

Observar atentamente o comportamento do gato e agir prontamente para abordar quaisquer fontes de estresse pode ajudar a prevenir complicações de saúde e promover um ambiente harmonioso para o animal, melhorando assim sua saúde física e emocional.

As referências bibliográficas estão com a autora. Contato: gisele@assiscomunicacoes.com.br

 

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Fonte: O Presente Pet

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