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Pesquisa revela cenário alarmante de acidentes por mordeduras de cães

Prevenção deve ser abordada considerando fatores demográficos, econômicos, sociais e ambientais

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Foto: Divulgação/Pexels

As mordeduras de cães representam um desafio significativo para a saúde pública em todo o Brasil, causando impactos econômicos e sanitários relevantes. Recentemente, uma pesquisa realizada em Curitiba lançou luz sobre os fatores de risco associados a esses acidentes, revelando dados que podem ajudar a formular estratégias eficazes para prevenir esses incidentes. Em cinco anos, foram mais de 45 mil notificações, o que representa média de quase 25 acidentes por dia ou um acidente por hora.

A capital paranaense, conhecida por sua qualidade de vida e infraestrutura bem organizada, foi escolhida como o cenário para uma investigação detalhada sobre mordeduras de cães. A tese de doutorado de Caroline Constantino, apresentada na Universidade Federal do Paraná, sob a orientação do professor doutor Alexander Welker Biondo, explorou os acidentes por mordeduras de cães na cidade entre 2010 e 2015. Esse estudo é crucial para entender melhor a situação e identificar formas de mitigação.

 

FATORES DE RISCO: QUEM, ONDE E COMO

Durante o período analisado, foram registradas impressionantes 45.392 notificações de mordeduras de cães em Curitiba. Isso corresponde a uma incidência média anual de 4,17 casos por 1.000 habitantes. Entre as vítimas, a maioria era do sexo masculino (53,1%), de raça branca (79,9%) e crianças de 0 a 9 anos (20,1%). Esses dados são alarmantes e sublinham a necessidade de medidas preventivas eficazes.

 

O IMPACTO DA ECONOMIA E DA EDUCAÇÃO

A pesquisa destacou que o ambiente socioeconômico desempenha um papel fundamental nos casos de mordeduras. A cada aumento de US$ 100 na renda mediana de um bairro, houve uma redução de 2,5% no número de ocorrências. Além disso, bairros com maior número de roubos residenciais e altas taxas de analfabetismo apresentaram maior incidência de mordeduras. Em contraste, áreas com maior proporção de apartamentos residenciais e rendas medianas mais altas demonstraram ser mais seguras.

 

PREVENÇÃO: UMA ABORDAGEM DE SAÚDE ÚNICA

Com base nos achados da pesquisa, é evidente que a prevenção de mordeduras de cães deve ser abordada de maneira integrada, considerando fatores demográficos, econômicos, sociais e ambientais. A proposta de Caroline Constantino inclui a implementação de um programa de vigilância sistemática, com registros detalhados de cada incidente, para fornecer dados mais precisos sobre o perfil dos cães agressores e as circunstâncias dos ataques.

 

UM CHAMADO À AÇÃO

A realidade das mordeduras de cães em Curitiba é um reflexo de um problema maior enfrentado por diversas cidades brasileiras. Este estudo não apenas fornece reflexões valiosas, mas também serve como um modelo para outras regiões desenvolverem suas próprias estratégias de prevenção. A saúde pública, a segurança e o bem-estar dos cidadãos e dos animais podem ser significativamente melhorados com a adoção de políticas baseadas em evidências como as apresentadas nesta pesquisa.

A tese de Caroline Constantino deve inspirar ações concretas para reduzir os acidentes por mordeduras de cães em todo o país. Afinal, uma abordagem de Saúde Única é essencial para garantir uma convivência harmoniosa e segura entre humanos e animais.

Fonte: O Presente Pet

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